O porco que vendia miragens

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Um pouco por toda a paróquia, o querido mês de Agosto chegou mais cedo. Vede como tudo verdeja e as crianças pululam, em cabriolas despreocupadas, dos 7 aos 77 anos.

Muitas eras passaram desde que somente o Natal, quadra serôdia das cinzentas noites que prematuramente cerceiam o bom povo em Dezembro, podia começar a celebrar-se em Outubro, não fossem as vigilantes autarquias a aprovisionar desde cedo os tostõezinhos que sobram findas as actividades autárquicas, para melhor alumiar ecologicamente as nossas ruas, vielas, esgotos e obras embargadas.

Por quanto tempo clamou a sofrida população, incontáveis os éons que decorreram até à chegada de um libertador que nos apascentasse na pós-liberdade apenas possível aos iniciados nas revoluções sociais tendencialmente socialistas de Abril. Rejubilai, velhinhas, saltai de gáudio vós entrevada gente, que de Alcochete ao remoto Baguim agora se elevam barracas, carrosséis, valetas sépticas e a miríade infinda de sinais que anunciam a chegada da Festa das Festas.

Sardinhas, gritos, martelos, gordura, vómito, náusea e a música tocada ao vivo e ao artificial até de madrugada, suma expressão da vontade popular contra o fascista do 5º Esquerdo, assomam já em cada pracinha, praceta e praçona. A maior roulotte de farturas do mundo rola na estrada, séquito condigno, como quem se insurge contra os profetas da desgraça cuja existência se resume a trabalhar, pagar impostos, criar filhos e dormir.

Belo, belo, belo e auspicioso eleitorado! Modernas pessoas! Alegres ireis receber os vossos entes queridos, vindos de longe, de perto ou da secretaria onde a Matriz Estatal os tiver colocado, e entre amplexos felizes e pueris como os da nubente mais sequiosa acolhê-los no seio da nossa invencível e munificente paroquialidade. A dívida são os outros. Os outros, sim, aqueles cujos entes queridos morrem de cancro, de fome, de depressão, de ansiedade, de tristeza, de desalento e de descrença na autêntica supernova de prodígios trazida a todos – a todos o que é de todos – pelo unificador sem cor, régulo sem rei, torre sem roque, o doutor que está e estará nas nossas memórias; porquanto houver quem nos pague esta airosa e justa retribuição em vida pelo mal sobre nós praticado ao nos deixarem comprar, assim todos pagaremos muito menos.

Por cada pessoa que morre de cancro há dez que não morrerão. É isto que os detractores do nosso avanço se escusam a dizer. Só pensam em si mesmos e arredam para um canto cinzento a alegria de quem tem muitos amigos. Donec eris felix, multos numerabilis amicos.

Avante, galharda horda. Em nome da sinecura, do sindicato, da sinergia e da sede insaciável que vos constringe os igualmente galhardos esófagos. Bebei! Comei! Ride! E quanto ao minus-alegre dissimulado por entre vossos luminosos casebres? Escarnecei dele, matai-o, ridicularizai toda a sua linhagem como se não houvesse amanhã, porque tal de facto inexiste.

A vitória é nossa, nossa é a vitória, camaradas unidos, gaivotas da atmosfera infinita, inaladores especiais e recebedores líquidos do que há muito era acumulado sem que todos pudessem lá ir.

 Ó Baldaia, fica bem assim? Pronto. Tresvemcincovezespaprontotafeto.

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