Septuagésimo oitavo quilo

​amigos, família e gente avulsa perguntam-me amiúde se gostaria de ir-me no exercício do sono e com isso evitar as angústias de uma falência vital testemunhada, principalmente por mim mesmo.

não. gostaria de ir abatido a tiro, à enésima bala e de preferência após terem sido gastas centenas, com um palco Geigeriano de ossos, carne e tendões parlamentares ainda brûlées às minhas costas; lâminas dispensadas a brotar como arbustos dos dorsos que nesse dia tivessem comparecido ao grotesco hemiciclo, biqueiras bem ungidas a hemoglobina de esquerda, a trademark lupina nos lábios.

falange, falaginha e falangeta rigorosamente ao centro do detonador, um raio de sol na madeixa prateada da barba. 

depois muitos Mães Hugo, e Mães Ruben e o caralho que herdar as ruínas da estiva, fariam a exegese do evento entre encomios ao ministro-puta dos assuntos silenciares, com um coro de vaticinadores sindicofutebolisticos a lamber do chao as migalhas empapadas nos miolos da chularia.

seria assim que eu gostaria de ir.

Anúncios

2 thoughts on “Septuagésimo oitavo quilo

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s