Running Low on Highs

Quem tenha visto El Secreto de Sus Ojos poderá, hoje, começar a sentir um arrepio na nuca – nas costas da mente – por ver Portugal, aldeia perene incrustada de anacronismos grotescos que não lembram a Satanás, a perfilar-se pela mesma bitola seguida in illo tempore na Argentina que é retratada naquele inesquecível filme, obra magna de um realismo negro e abissal. 

A vida, dentro e fora de nós, é contudo feita de loops. Como sabia Dylan Thomas, though lovers be lost love shall not; o amor e a centelha encontram um caminho, os filhos tornam à semente que os gerou, a terra devolve os seus mortos e, no fim, o terrível Juiz julgará. 

Não há, por isso, motivos para desespero.

Neste post do Hélder também eu me encontro com a ciclicidade ondulatória dos dias que me foi dado testemunhar. Cedo ou tarde, aqueles (e aquelas, ai de mim que escrevo de maneira imoderna) que calcorreiam o Mundo sob a alçada de instintos irmãos acabam por gravitar em torno de um centro comum, cada vez mais próximos à medida que a hora derradeira se estuga para perto.

Mas o destino revela sempre a mão que sustém o palco, quando os loops se fecham. É que foi nos idos de 2007 que eu, lendo algo escrito pelo mesmo Hélder n’O Insurgente, fiquei a saber quem era Adrian Borland. Antes disso, jamais o ouvira. 

Também eu sou pai de um que vai alar-se para longe do jugo merdificante desta terra de grunhos, sebosos, estivadores, e gente de bairro. Bem o faz, porque ainda muito arderá aqui até alguma alminha conseguir pôr ordem nisto. 

Mas não há razão para desespero, porque tal como sempre, também esse outro loop há-de fechar-se.

I know the ground ‘round here too well
Every crack and corner of my cell
Seems my world has been reduced in size
And I´m running very low
Running very low on highs

I took my pleasures one by one
Hovered closer to the sun
Until my melting wings fell from the sky
Now I´m running very low
Running very low on highs

I remember how it was
I was like a soldier to the cause
But in the end you pay a heavy price
It leaves you running very low
Running very low on highs

I stumbled through the day
Floated through the nights
Where life is measured by
The brightness of the light
But it is gone before you even finished

Saying your goodbyes
I won’t take back the things I did
I am not ashamed of how I lived
I’ve never needed any alibis
But I´m running very low
Running very low on highs

So if you think that life is cruel
To me it is like a tank of fuel
And I used up mine
By the time I was thirty-five
Yes, I´m running very low
Running very low on highs


© Adrian Borland

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