A não-entidade

Por estes dias continua a ver-se muita perplexidade, choque e até receio perante a procissão de horrores em decurso desde que este Governo, não liderado nem norteado por alguém ou coisa alguma além de uma sanha pueril de escaqueirar o passado, leia-se a estabilidade, ascendeu.

Admito que a visão de um país Albanizado, onde caciques aninhados uns nos outros como matrioshkas se sucedem no papel de Nadia Comăneci (eu sei que é Romena, a miséria era igual) enquanto escravos das taras dos sortílegos maiores, é coisa que só me agrada na medida em que peca por tardio castigo para a miríade multitudinosa de indigentes cuja índole odiosa e escarninha se foi perpetuando de prole em prole.

Contudo, espanto e medo e assombro são sensações que a mim já parecem remotas há uns sólidos pares de anos; é que por quantos tresloucados actos e inconsequentes desmandos venham da vápida criatura que encabeça o regime – constatação aplicável em cascata pelo séquito a baixo até aos mais pusilânimes mainatos autárquicos, jornalísticos e declamadores de merdas sem nexo – tudo isto pôde ser visto a léguas, em conformidade com a Natureza imanente do povo, que é ela mesma diáfana, mesquinha, aldeã, fátua, mas sempre tão previsível como o acudir das varejeiras ao esporo do cavalo morto.

É portanto de lamentar todo o desperdício de energia em vão a denunciar, apontar, traduzir e cartografar o rumo parabolóide que levamos. Já se sabia. Por favor, não alimentem as bestas e não tentem contê-las na rua; há funcionários especializados para o efeito em Bruxelas.

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