Poemas à identidade fluida

Ante a iminência de mais um salto em frente rumo ao sufoco final, pretende o ninho-mor das taras urbanitas decretar que um puto de 16 anos, cujos horizontes delimitados pelo onanismo e circunscritos ao número de canais que acede no conforto da casa hirta não podem deixar que coma sal ou açúcar, possa escolher ainda assim se quer ser gajo, gaja, palmeira, xisto ou tetrasapiofode-m’aqui. Ide que eu já lá vou ter.

Bloco, Bloque, Bloca
tudo legislas na tua toca
e d’altíssima altura
velas por nossa lura
o género, a sexa, o sal
tudo avanço genital
e os vícios do cidadão
cabrão, fica sem mão
se disser que não
ao Bem da Nação
vinde pois catarina
fazer moagens brutas
daquilo que extermina
tua seita de putas.

ou entao Mário-Henrique Leiria,

o cata-vento
tem obrigações legais
deve
catar o vento
portanto
quando o vento passa
Diz-lhe logo atento
espera aí
preciso de te catar
mas o vento w
sempre a passar
tem outras coisas
em que pensar
não está para ser
catado no ar
e vai passando
desatento
ao cata-vento
sem se importar
com o tristonho
catador de vento
obrigado legalmente
a catar o vento
então
o cata-vento
Senta-se no telhado
aporrinhado
e sem vento
para legalizar
o seu direito
de ser elemento
respeitado
pelos elementos
sentado no telhado
Queixa-se
isto não é vida

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