Rédea solta aos maluquinhos

E no Canal 2, norma culta, da Pravdificada comunicação sociopata, cá temos um Valdemar Cruz a assinar de apelido o primeiro chorrilho gastroenterobundo que lhe assomou quando viu que chovia e a urbe, hoje, não está para chinelos.

Sabe quem inventou o vestido de noiva?

Deixa-me pensar. Trotsky?

A Áustria foi um alívio. A Europa é uma tentação. Qual mulher fatal de filme de série B, tem vindo a alimentar perigosas fogueiras, loucas paixões. Provoca amuos e irritações. Seduz e afugenta.

O meu alívio é que o dinheiro dos outros não dura para sempre e que alguém, muito em breve, terá que limpar as cinzas da vossa louca e apaixonada fogueira. Depois já podem amuar, afugentados.

Faz pias declarações sobre a sorte dos refugiados, mas não sabe como responder aos desafios da chegada e integração de milhares de homens e mulheres em fuga de guerras sobre as quais muito teria a explicar.

E as compensações com juros de sete mil anos que os Hititas devem a toda a gente desde a Anatólia até quase ao pasto onde o Genghis foi parido num yurt sem condições nenhumas? Falta de visão, camarada. Vá primeiro cobrar dívidas morais aos hititas que depois logo falamos dos cafres.

Sucumbe a caprichos vários e arriscadas dúvidas sobre o sistema de Schengen. A falta de solidariedade entre os países europeus faz crescer os medos e até a sensação de insegurança. A Áustria foi um alívio. Apenas temporário. É um alívio sem folga.

Precisamos de mais bandeiras arco-íris nas varandas, atribuição de estatuto fisco-jurídico às tainhas do Douro e remoção física dos fasciocanibais que se recusarem a ver a luz no mesmo tom que nós. Mas nem tudo é negro, perdão, nem tudo é afro-emocional, algo cresce, é taxar o medo e aproveitar o bom que há no mau. Valdemar, escreves bem, em permanência, nunca tires folga porque a insegurança avança.

O cutelo está pendente sobre grande parte das democracias europeias. A ameaça é cada vez mais consistente.

Como se Dâmocles tivesse agora de ganhar a vida num talho da Damaia. É obnóxio e iníquo. Há que cercear a ameaça. Mas qual?

Não é protagonizada apenas pela Liga Norte, em Itália, pela Frente Nacional em França, ou pela Alternative für Deutschland na Alemanha. Há a deriva autoritária na Hungria e na Polónia.

Ah, partidos nos quais pessoas votam, mas pessoas toldadas, pouco esclarecidas. Impõe-se urgentemente a eugenia de sufrágio, a proibição do voto a todos quantos não perceberem que

É preciso estar atento ao progresso das forças de extrema-direita na Holanda, na Finlândia ou na Dinamarca. E há a Áustria, que ontem foi um alívio para muitos responsáveis europeus.

Um alívio décuplo, não tarda, se o camarada repetir mais uma vez ou duas o termo. Já as forças de extrema-esquerda, que hoje pagam ao camarada para que torne os meus despertares em pipas de riso como há muito me vinha sendo negado, não progridem, e nisso tem toda a razão; há que estar atento à regressão das forças da extrema-esquerda em Portugal, Espanha, e no Turquemenistão.

A vitória de Alexander van Belle, 72 anos, nas eleições para a presidência da república, embora por escassa margem sobre o candidato de extrema-direita, Norbert Hofer, 45 anos, é um sinal. O perfil do por agora derrotado Hofer pode ser lido aqui, num texto assinado por Joana Azevedo Viana e publicado no Expresso Diário.

Preferia um perfil de Pol Pot. Consegue pedir a outra colega que tire uns minutos para ir ver disso? Se for muito trabalho pode ser o Mélenchon. Assim como assim, entre Pedras e Vidago só os ricos é que notam a diferença, não é? Paguem-na.

Uma das primeiras declarações de Van Belle, simples na aparência, constitui todo um programa e marca uma diferença radical. Repetiu, tal como o fizera numa campanha eleitoral durante a qual nunca cedeu à tentação populista, pretender representar o país em toda a sua diversidade. A questão do outro está cada vez mais presente na sociedade austríaca, onde o problema da emigração é uma das preocupações centrais.

Certeiro. A esquerda taradinha e casta que nunca se deixa tentar pela serpente do populismo (como é bom de ver pelo rácio com que a geringonça cumpre o contrato social com quem a lá pôs, minando a eito o aparelho do Estado) preocupa-se deveras com o outro; o dinheiro do outro, a liberdade do outro, as opiniões e preferências do outro. É uma espécie de perturbação bipolar entre um abisso sem auto-estima e delírios messiânicos de mandar. No outro, que no corpo da esquerda manda a esquerda.

Ele próprio filho de refugiados, amante de literatura russa do século 19, o vencedor, conhecido pelos longos tempos de reflexão antes de responder a qualquer pergunta feita pelos jornalistas, é o primeiro ecologista a chegar à presidência da Áustria. A Europa respirou de alívio.

Cá está. Nove alívios, como as caudas do gato que o Poe imaginava. E será que o Belle Inconnu ou lá como se chama, a caminho do refúgio, leu Zamyatine? Era de ir ver. Peça lá à Joana que veja. Era um alívio.

Tenho é a perceção de que esta Europa se está a revelar uma noiva cada vez mais disputada por quantos já nem disfarçam as roupagens com que se cobrem. Não querem vestidos, muito menos de noiva.

Mas um casamento entre maricas só fica completo com vestido de noiva. Peça lá ao seu director para ver se o irmão não quer legislar isso sob pena de exílio e expropriação.

Anseiam por uma Europa xenófoba, racista e distante dos caminhos de solidariedade que ajudaram a construir a imagem, porventura mítica, de um continente onde grande tem sido o combate democrático e o esforço para que imperem os valores da tolerância, no respeito pela diferença.

Já não consigo mais.

Antes de partir para o Vietnam, onde anunciou o fim do embargo de venda de armas norte-americanas àquele país, Barak (sic) Obama deu força de lei a uma alteração que obriga a apagar as referências a “Orientais” nas leis federais dos EUA. A terminologia aceite passa a ser “Ásio-Americanos”. O termo “Negro” será também substituído pior “Afro-Americano” em duas partes do Código dos EUA escritas em 1976 e nas quais se usava uma linguagem considerada inadequada para se referir a grupos minoritários. O termo “Orientais” dirigido a pessoas ou grupos é associado a conotações negativas que remotam, diz o New York Times, a um tempo em que os povos da Ásia, do Norte de África ou do Médio Oriente eram reduzidos a caricaturas.

Afinal consigo. É que o camarada não defende os dinossauros, que continuam a aparecer nos manuais da escola, em filmes e até no museu da Ciência como se fossem caricaturas. Nem sempre, mas por vezes; e isto basta, para já, como motivo para que não respiremos de alívio. Proponho que se remova a utilização do termo dinossauro passando a dizer-se “ásio-criatura”, “euro-criatura” ou “expresso-criatura”, consoante a zona onde forem encontrados os fósseis em causa. No caso do Valdemar já sabemos que não sendo sauro (é mais andorinha) consegue ter uma escrita dino, pelo menos para já, o que é para mim um alívio.

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