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– Bom dia e bem vindos ao Forum, o nosso convidado de hoje é Ibrahima Khalid el-Brusseli ibn Khaled ibn Mussa ibn Pierre, burgomestre de Jalojamilamilobalabad (anterior Antuérpia) que aceitou gentilmente a nossa proposta de conversação entre a terceira e quarta orações do dia. Olá, burgomestre, muito obrigado por estar aqui. 

– Alá assim o quis. 

– Burgomestre, começaria por uma notícia de ultima hora, que nos dá conta de um incidente na sua cidade, em que um grupo de doze jovens recusou deixar-se violar. Tem conhecimento desta situação?

– Sim, isso já está resolvido, pela graça do profeta. Tratou-se de uma emergência sexual colectiva por parte dos estudiosos da terceira madrassa que abriu agora – estamos a receber muita, muita gente nova, puros e impuros, dos que se convertem – e terá havido alguns erros de interpretação da escritura por parte dos destinatários passivos da vontade de Alá, mas a autoridade integradora agiu a tempo; já foram todos enviados para a Escola da Verdade mais proxima, onde estao neste momento a ser violados ate que compreendam que nao ha outra forma de todos vivermos em sociedade, que caso contrario nao teriamos chegado aqui.

– Burgomestre, e as necessidades dos vossos eruditos? Ja foram satisfeitas?

– Sim, sim, populares, para nosso agrado muitos ainda do tempo em que este territorio nao era parte do califado, trouxeram-lhes oferendas. Algumas ate eram virgens. Nao se preocupe. Alá o tenha em boa conta pelo seu cuidado. 

– Burgomestre, como é que surgiu esta ideia das Escolas? Sei que as há da Verdade, da Pureza, do Fogo Que Mata o Ímpio, da Encadernação Obsessiva, da Cópia com Sangue… como é que surge tudo isto?

– Bom. Nós pegámos no excelente trabalho que vocês tinham feito antes, com os vossos infiéis, aqueles que comiam sal, fumavam tabaco, bebiam cerveja, nao se prostravam no angulo certo, trabalhavam para se vestirem e às suas famílias sem pagar o noventaenovízimo – como se fosse Socio-Corânico, o profeta unja o nosso partido integrado, deixar mais de 1% do rendimento nas maos de cada um – e com fundos do Califado (aquilo que dantes era gasto em invencoes posteriores à morte de Maomé, logo inuteis, ainda vocês eram europeus) fomos logo criar emprego nas obras, na construcao das escolas, como forma de integrar os descendentes da vossa antiga raça. Isto nao é xenofobia, é direito natural e divino, se assim nao fosse Alá nao o teria dito. 

– Burgomestre, muito bem. Já ouço o chamamento do Muezzim, pelo que lhe agradeço esta curta entrevista e em nome de toda a equipa que realizou este programa, deposito nas suas mãos um tapete de oração, cosido à mão pelas mais belas futuras concubinas do Emir, em cor verde-wahabita, e debruado a cabelo de sacerdote cristão. Alá o tenha.

– Alá é grande. Não se esqueça de declarar que de todas as vezes não me chamou Burgomestre em árabe. Problemas sao de evitar. 

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