Navegar a intrincada malha de urbe, pós-urbe, meta-urbe e para-urbe que interliga o Cassapo com a Charneca de Caparica pode constituir um desafio colossal, cosmogónico mesmo, para o rural homem anti-hodierno que pugna por ser deixado em paz na forma activa, passiva, transitiva, utente e paciente.

Dito isto, chegar ao atrivm do restaurante Simão & Filhas, na Rua dos Castanheiros 58 (2815-311) é uma retracção epifânica que expurga todas as fugas passadas, presentes e hipotéticas à realidade: ali te sentas, ali te servem e comerás à saciedade da melhor e mais irregulada cozinha que esta tribo te pode dar.

A atenção e habitacularidade caseiras só encontram coisa que as sobrepuje no instante em que ao termo “sobremesa” é renovado o sentido etimológico, de dominar, compor, campear, encimar a tábula onde atempadamente e sem delongas ou perdas aquilo a que cheira, e que bem que cheira, se fez presente. Peço uma mousse de côco. Comparece límpida, leve, desaçucarada, fofa, aérea, natural, trazida com paixão e humor. 

É uma composição da mais primordial engenharia libertária. É uma ode ao bom gosto.

Ide ao Simão, que só serve almoços, sobretudo durante os dias tidos por úteis. A mim custa-me imaginar melhor troca de euros etéreos por conforto salvífico, e se agora em pleno estio é assim, mal posso esperar pela estação agreste.
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