Um Fado: Palavras Minhas

Palavras que disseste e já não dizes,
palavras como um sol que me queimava,
olhos loucos de um vento que soprava
 em olhos que eram meus, e mais felizes.

Palavras que disseste e que diziam segredos
que eram lentas madrugadas, promessas imperfeitas,
murmuradas enquanto os nossos beijos permitiam.

Palavras que dizias, sem sentido, sem as quereres,
mas só porque eram elas que traziam a calma das estrelas
 à noite que assomava ao meu ouvido…

Palavras que não dizes, nem são tuas,
 que morreram, que em ti já não existem —
que são minhas, só minhas, pois persistem na memória
que arrasto pelas ruas.

– Pedro Tamen, in “Tábua das Matérias”

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