Capítulo I

Era uma noite como tantas outras, após um dia tirado a papel químico sobre os restantes, quando a Guilda dos Néscios sem Qualidades reunia na casa de impasse à luz de um Petromax azul e bojudo.

Sob a égide das Totalidades, o barman despachava vasos seguidos de mais vasos prenhes de um qualquer eflúvio brotado por entre Genebra e Bombaim. Grossos fullerenos de gelo seco incandesciam na atmosfera saturnina da casa de impasse, ao som das exalações resignadas, comiseratórias e de resto normalíssimas da meia centúria de Néscios ali sentados com o fito de dar continuidade ao grande nada que desenhava as suas horas. In Media Veritas, propalava tibiamente o brasão cunhado em tijolo que servia de base para os copos sobre a mesa. 

Na casa de impasse honrava-se assim o volver de outra década dedicada à constatação da suprema evidência, mote irmanado com a vera e própria respiração da Guilda, isto tudo desde os tempos d’antanho:  o que é preciso é que os nossos dias sejam todos iguais,  e se pensamos muito nisso ficamos malucos. 

A tónica era dada assim pelos vasos de gin, cada janela oclusa uma cancela a favor da entropia interior.
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