Este país não é para velhos

“As flores mais belas estão plantadas no limite de uma escarpa.”
– Stendhal

Sabes que gosto de céus plúmbeos e ventos ferozes. Dos dias cinzentos e frios costumo dizer-te, ao corpo e ao coração, que me fazem sentir justiçado perante o resto da humanidade, como se o mundo mostrasse às pessoas quão vãs as questiúnculas que as regem, e quanto de imponderável há numa hora de estrada.

Vejo patrulhas da GNR caçando multas à beira das portagens na Vasco da Gama, enquanto ladrões e assassinos dormem – sonharão – impunemente à espera do próximo golpe. Ao chegar a casa até a senhora da loja dos móveis bate, por trás, no meu carro (sem danos neste, sem danos neste) e nem isso me afasta do sentimento que trago hoje: só não quero que os nossos filhos herdem esta noção doentia que tudo isto é normal, que este mal vivendo é defeito menor entre horrores impronunciáveis que grassam noutra parte.

Parece-me cada vez mais claro que o relativismo só funciona para dirimir as depressões dos que estão muito bem; para quem estiver entalado na selva que avança, o melhor é mesmo andar de olhos bem abertos e dar o menos possível nas vistas.

Thoreau era capaz de ter qualquer frase aplicável a estes dias.

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