Outros antes de nós tentaram o mesmo esforço: dente por dente:
não, nunca olhar de soslaio e manter a cabeça escarlate,
o vómito nos pulsos por cada noite roubada;
nem um minuto para a glória da pele.

Despertar de lado: olho por olho: conservar a família em respeito,
a esperança à distância de todas as fomes,
o corno de cada dia nos intestinos.

Aos dezoito anos, aos vinte e oito, a vida posta à prova da raiva
e do amor, os olhos postos à prova do nojo.
Entrar de costas no festival das letras,
abrir passagem a golpes de fígado para a saída do escarro.
Se não temos saúde bastante sejamos pelo menos
doentes exemplares.

Fora do meu reino toda a pobreza, toda a ascese que gane
aos artelhos dos que rangem os dentes;
no meu reino apenas palavras provisórias, ódio breve e escarlate.
Nem um gesto de paciência: o sonho ao nível de todos os perigos.

Pelo meu relógio são horas de matar, de chamar o amor
para a mesa dos sanguinários.
Dente por dente: a boca no coração do sangue:
escolher a tempo a nossa morte e amá-la.

– António José Forte

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