Tenho tanta coisa para te perguntar.

Nas costas da minha mão permanece o cheiro do teu perfume que dali às pontas dos meus dedos se transforma em secreção do amor infinito que é a chave de viver. Habita um gradiente de doçura com vértice no odor dos teus sumos secretos, expostos. Inspiro-te (esta tem triple meaning, oi) e penso em nós por não haver condição alguma. Torno a sorver o ar e as células rebeldes que me cobrem as costas da mão. Estás lá como estás em mim como estás em cada litro de vida; no plano da sorte eras uma ideia que ao tomar carne furou o esquema dos Deuses: saíste melhor que a encomenda, e por não saberem o que fazer, as Totalidades atravessaram homens no teu caminho à espera que algum pudesse esbarrar na solução. É um suplício Tantálico. Se não te tenho a escuridão é certa. Se te tiver é a certeza do bloqueio que só se resolve ao beijar-te.

É isso, é num beijo dos nossos que se desvendam os enigmas do teu aroma.

Sinto-te na minha mão e sorrio perante a natureza da Natureza. É tudo tão interligado, tanta coisa que sempre teremos para espremer. Porque é que és tão bonita e tantas vezes fico a sentir que podemos fazer muito mais?

Adoro pensar-nos. É. É, e é muito. É quase tudo, é uma face do universo que valida todas as outras.

Eu amo-te por haver respostas sem pergunta.

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